quarta-feira, maio 16, 2007

There's still a little bit of your taste in my mouth...

quinta-feira, janeiro 04, 2007

"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendes que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aceitar as tuas derrotas com a cabeça erguida e os olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

E aprendes a construir todas as tuas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair no meio do vão. Depois de um tempo aprendes que o sol queima se ficar exposto muito tempo. E aprendes que não importa o quanto te importas, algumas pessoas simplesmente não se importam... e aceitas que não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai magoar-te e tu tens de perdoá-la por isso!

Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que Tu podes fazer coisas num instante, das quais te arrependerás pelo resto da vida. Aprendes que as verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distancia. Aprendes que o que importa não é o que tens na vida, mas o que TU és na vida! E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprendes que não tens que mudar de amigos se compreenderes que os amigos mudam, percebes que o teu amigo e TU podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobres que as pessoas com que mais te importas na vida são tomadas de ti muito depressa, por isso devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pois pode ser a ultima vez que a vemos. Aprendes que as circunstancias e os ambientes têm influência sobre nós próprios. Começas a aprender que não te deves comparar com os outros, mas com o melhor que tu mesmo podes ser. Descobres que levas muito tempo a tornares-te na pessoa que queres e que o tempo é curto. Aprendes que não importa onde já chegaste, mas onde vais, mas se tu controlas os teus actos ou eles te controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.

Aprendes que heróis são aqueles que sempre fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências. Aprendes que paciência requer muita prática. Descobres que algumas vezes a pessoa que esperas que te calque quando cais é umas das poucas que te ajudam a levantar. Aprendes que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que tiveste e que aprendeste com elas do que com quantos aniversários celebraste. Aprendes que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são tolices, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar, mas isso não te dá o direito de seres cruel!

Descobres que só porque alguém não te ama da maneira que queres que te ame, não significa que essa pessoa não te ame, pois existem pessoas que nos amam, mas não sabem como demonstrar isso. Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém... algumas vezes tens de aprender a perdoar-te a ti mesmo! Aprendes com a mesma severidade com que julgas, serás em algum momento condenado. Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que o concertes. Aprendes que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, ao invés de esperares que alguém te traga flores.

E aprendes que realmente podes suportar... que realmente és forte! E que podes ir muito mais longe depois de pensares que não podes mais... e que realmente a nossa vida tem valor e que tu tens valor diante da vida! As nossas dúvidas são traidoras e fazem-nos perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar."



William Shakespeare

terça-feira, novembro 28, 2006

Another winter day...

quarta-feira, novembro 08, 2006

Antigamente, fechava os olhos e os versos surgiam no centro dos meus sonhos: fechava os olhos e corria, porque os passos eram promessas e mares, fragmentos meus.

Antigamente, fechava os olhos e bebia a noite como água - assim a mantinha em mim.
O problema nunca foi manter a noite, ou os sonhos…
O problema era tornar a noite habitável, fazer dos sonhos poesia.


Agora, fecho os olhos e os versos já não surgem no centro dos meus sonhos: fecho os olhos e desculpo-me por mais um dia, por mais uma noite, por mais uma hora.
E desfaço-me em charcos de saudade e de sede.


Agora, adivinho medos que não conheço e habito lençóis e voos demorados.
Perdura no meu corpo o tacto cinzento de Novembro - aquele que me toma palavras e me contamina.


Conheço o teu sabor, a tua chuva e a tua noite. Conheço-o e não sei como tocá-lo, nem como senti-lo.
Não me recordo como abria as portas dessa casa ao fim da tarde - e não aprendi a ficar à chuva, ainda. (Hoje bati à porta e não estou aí.)


Hoje só compro tabaco e só me assusto.
Ontem fechei os olhos e o teu sabor surgiu no centro dos meus sonhos.
Hoje só bebo café e só me aborreço.
Ontem escrevia-te e tu entravas pela janela.


Queria fechar os olhos e imaginar versos. Queria correr, correr em sonhos e beber a noite imensa! Queria não ter saudades e não ter de recordar-te.
Queria não ter de desculpar-me…




Amanhã não vou comprar tabaco.
Não vou beber café.

quinta-feira, outubro 26, 2006

Almas Gémeas


«(...)As almas gémeas quase nunca se encontram, mas, quando se encontram, abraçam-se. Naqueles momentos em que alguém diz uma coisa, que nunca ouvimos, mas reconhecemos não sei de onde. E em que mergulhamos sem querer, como se estivéssemos a visitar uma verdade que desconfiávamos existir, de onde desconfiamos ter vindo, mas aonde não tínhamos conseguido voltar. O coração sente-se. A alma pressente-se. O coração anda aos saltos dentro do peito, a soluçar como um doido, tão óbvio que chega a chatear. Mas a alma é uma rocha branca onde estão riscados os sinais indeléveis da nossa existência. (...)

Gémea não é igual. É parecida. Não é um espelho. É uma janela. Não é um reflexo. É uma refracção. (...) O desejo de encontrar uma alma gémea não é o desejo de reafirmarmos a unicidade da nossa existência através de outro que é igual a nós. É precisamente o contrário. É poder descansar dessa demanda. No fundo, todos nós duvidamos que tenhamos uma alma. Senão não falávamos tanto dela.

Uma alma gémea é a prova que não estamos sozinhos. (...) O estado normal de duas almas gémeas é o silêncio. Não é o "não ser preciso falar" - é outra foma de falar, que consiste numa alma descansar na outra. Não é a paz dos amantes nem a cumplicidade muda dos amigos. Não precisa de amor nem de amizade para se entender. As almas acharam-se. Não têm passado. Não se esforçaram. Estão. É essa a maior paz do mundo. Como é que um ninho pode ser ninho doutro ninho? Duas almas gémeas podem ser.

Como é que se reconhece a alma gémea? No abraço. (...) Quando duas almas gémeas se abraçam, sente-se o alívio imenso de não ter de viver. Não há necessidade, nem desejo, nem pensamento. A sensação é de sermos uma alma no ar que reencontrou a sua casa, que voltou finalmente ao seu lugar, como se o outro corpo fosse o nosso que perdêramos desde a nascença. (...)

As almas gémeas revelam-se uma à outra. Não são iguais. Mas revelam-se de forma igual. Como se tivesse surgido, de repente, uma língua que só os dois conseguissem falar. (...)

Toda a angústia do eu se dissipa. É-se inteira e naturalmente aceite. Sem perguntas. Sem condições. Sem promessas. E mergulha-se no outro como se já não fosse preciso existirmos.»





Miguel Esteves Cardoso

quarta-feira, outubro 25, 2006

Eu tinha na boca palavras para dizer. E guardei-as.
Comecei um longo monólogo, caminhando pelas calçadas, sem rumo, perdida na chuva como tantas outras noites. E senti-me vento, nevoeiro e labirinto. Pensei em abrigar-me em qualquer canto, mas a chuva chamava por mim e eu já estava molhada, de nada serviria abrigar-me em qualquer canto... se o tivesse feito não teria nada a contar dessa noite.
O facto de ter palavras guardadas perturbava-me a cada passo. Apetecia-me uma bebida gelada que me ajudasse a compreender tal explosão de sentimentos. Apetecia-me receber uma carta ou um convite, um abraço, qualquer coisa que me impedisse de voltar para casa.
Mas nessa noite não recebi cartas, convites ou abraços. Voltei para casa, sozinha e completamente molhada, sonhando com sonhos alheios, tentando encontrar-me neles, querendo encontrar a estrada, o caminho, o jardim...
Já em casa, receei a falta de cores. Era necessário aumentar o som da música, dançar horas e horas... oferecer palavras por dizer! Era necessário... compreender aquela chuva, aquele fogo, aquele grito.
E adormeci... ao som do vento do meu coração.
Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.


Pablo Neruda

domingo, outubro 22, 2006

Alguém beijou as minhas mãos,
aterrorizadas segundos a fio.

Ah, como tremem sabendo-se tuas!
Medos reclusos estreitando o teu corpo
alucinado.

Alguém beijou as minhas mãos.
E eu inventei a mentira no ardente encantamento
da sua boca.

Não desejei matar-te.
Queria beijos de pétalas,
abraços verdes de esperança.