terça-feira, março 28, 2006

Envolvo-me
Em súbitos voos.
Agora sou mais do céu, das reticências
E das janelas abertas ao azul.

Amo estes olhos incendiados
De Verão, esta marcha quente da noite,
Os sorrisos que se desdobram
Na fissura dos lábios.

Envolvo-me
Na vibração do tempo.
Agora sou mais fósforo, chama ardente
E mar imenso.

Esqueci um velho medo
Louco, extingui as fronteiras das manhãs,
Os recortes das mãos
E dos tumultos.

Envolvo-me
Na flor e no fruto.
Agora sou mais do vento, do grito,
Dos rios largos e das maçãs grandes.

sexta-feira, março 24, 2006

Hoje hei-de ser das fantasias das cinco e meia. Hei-de adormecer pela manhã, quando o olhar solar obrigar, pela última vez, a queda das folhas amarelas da janela aberta dessa árvore.
Hoje hei-de ser das constelações das cinco e meia. Hei-de despertar num dia futuro, quando adormecerem as fantasias das oito e a aparição das folhas esverdeadas acontecer pela primeira vez nos meus sonhos...

Hoje hei-de ser a negra alma mais brilhante. Cantarei com os pássaros às sete, no mesmo lugar de sempre.

quinta-feira, março 23, 2006

Pura nicotina.


Hoje é noite de chuva na cidade. Noite de chuva que acendo e recrio, que prolongo na nudez dos braços e da alma.
Busco loucamente o sopro que anime estes passos, esta decadência ancestral da minha natureza.
Não deveria esta noite saber a amoras, a viagens? Não deverias tu morrer comigo nesta noite de chuva na cidade?
Hoje é noite de chuva em mim. Noite de chuva que acendo e recrio na boca. Noite de chuva no centro da minha profunda alegria.
E esta noite não me sabe nem a amoras, nem a viagens.
E tu não morrerás comigo nesta noite de chuva em mim.



Hoje é noite de pura nicotina...