Hoje vi a tua sombra e ela doeu-me amargamente. Gostava de poder espalha-la no vento desta noite, nas chamas deste chão vazio, no silêncio onde a tua sombra se arrasta comigo. Gostava de ter tempo, muito tempo, tempo suficiente para decifrar e interpretar a tua aparição. Tempo para naufragar memórias, tardes acabadas, apertos de mãos sem fim.
Sulco lágrimas...
E a tua sombra continua a trazer-me crescentes indiferenças e ausências. Ergue-se em cada esquina estampada de orgulho e falsas palavras cruzadas.
Dizem-me que não és tu que te ergues nessas esquinas do tempo. Dizem-me que a perseguição é já poeira. E dizem, novamente, que não és tu que te ergues nessas esquinas.
Eu esfrego os olhos e belisco o corpo ainda dormente...
E no devaneio dos passos recordo poemas onde pensei amar. E eles apagam-se em ti, na procura de ti, desta alucinação, deste suicidio, desta ânsia, deste tempo perdido, destes espasmos de revolta, destes últimos ecos profundos.
Ainda assim, essa sombra tão profundamente anónima continua a assaltar todos os cantos mais íntimos de mim a cada noite como esta. E eu continuo a acender cigarros e a recriar a tua existência.
E aqui estou eu, estrategicamente posicionada para receber as tuas mãos...
Mas dizem-me que não é a tua sombra que se ergue nas esquinas da minhas vida.
Sulco lágrimas...
E a tua sombra continua a trazer-me crescentes indiferenças e ausências. Ergue-se em cada esquina estampada de orgulho e falsas palavras cruzadas.
Dizem-me que não és tu que te ergues nessas esquinas do tempo. Dizem-me que a perseguição é já poeira. E dizem, novamente, que não és tu que te ergues nessas esquinas.
Eu esfrego os olhos e belisco o corpo ainda dormente...
E no devaneio dos passos recordo poemas onde pensei amar. E eles apagam-se em ti, na procura de ti, desta alucinação, deste suicidio, desta ânsia, deste tempo perdido, destes espasmos de revolta, destes últimos ecos profundos.
Ainda assim, essa sombra tão profundamente anónima continua a assaltar todos os cantos mais íntimos de mim a cada noite como esta. E eu continuo a acender cigarros e a recriar a tua existência.
E aqui estou eu, estrategicamente posicionada para receber as tuas mãos...
Mas dizem-me que não é a tua sombra que se ergue nas esquinas da minhas vida.


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