quinta-feira, abril 20, 2006

Para onde foi o amor?

O amor, náufrago deste Abril interminável,
deste mar escarlate como fogo em tropel!

Encenaste vezes sem conta o amor,
notícia de memórias onde o sol é agora
proibido de nascer.

Inutilmente te pergunto:
Para onde foi o amor?

Deixei-me encostar às manhãs frias,
criando raízes absurdas e largas.
E aqui fiquei...
Aqui, onde o frio me abraça
mesmo em noites de vestido vermelho.

Alguém canta.
A brisa traz-me tons de agonia crepuscular.
E eu... de vestido vermelho.

Num encarnado abismo de palavras te pergunto:
Para onde foi o amor?
O amor!
Para onde foi?


Estou só, assumidamente...