terça-feira, abril 25, 2006

Vou fazer-te uma confidência:
aprendi o ofício dos sonhos em versos
que se colam ao corpo, no fascínio ardente
de olhos teimosos de sonetos.
Há um espaço meu dentro de cada poema,
um espaço verde e cheio de areia,
um lugar de mudez, agasalhado de incertezas.
Aprendi a voar em linhas, indecisa no azul
das canetas. Irada e louca aprendi a decifrar
enganos, nomes invernosos e pesados,
desfigurei névoas futuristas, dedilhei a medo
o estalar das pedras e das águas.
Parei no frio de uma manhã qualquer e
descobri as coordenadas dos meus sonhos:
perto, perto como as tuas mãos nas minhas.
Vou fazer-te uma confidência:
a tua presença é o tempo que volta,
é sinfonia que se cola ao corpo, no fascínio ardente
de olhos teimosos de sonetos.
Há um espaço meu dentro de ti,
um espaço verde e cheio de areia,
um lugar de mudez, agasalhado de incertezas.
Nas coordenadas dos meus sonhos,
encontrei as tuas.



Para a minha querida irmã.