terça-feira, novembro 28, 2006

Another winter day...

quarta-feira, novembro 08, 2006

Antigamente, fechava os olhos e os versos surgiam no centro dos meus sonhos: fechava os olhos e corria, porque os passos eram promessas e mares, fragmentos meus.

Antigamente, fechava os olhos e bebia a noite como água - assim a mantinha em mim.
O problema nunca foi manter a noite, ou os sonhos…
O problema era tornar a noite habitável, fazer dos sonhos poesia.


Agora, fecho os olhos e os versos já não surgem no centro dos meus sonhos: fecho os olhos e desculpo-me por mais um dia, por mais uma noite, por mais uma hora.
E desfaço-me em charcos de saudade e de sede.


Agora, adivinho medos que não conheço e habito lençóis e voos demorados.
Perdura no meu corpo o tacto cinzento de Novembro - aquele que me toma palavras e me contamina.


Conheço o teu sabor, a tua chuva e a tua noite. Conheço-o e não sei como tocá-lo, nem como senti-lo.
Não me recordo como abria as portas dessa casa ao fim da tarde - e não aprendi a ficar à chuva, ainda. (Hoje bati à porta e não estou aí.)


Hoje só compro tabaco e só me assusto.
Ontem fechei os olhos e o teu sabor surgiu no centro dos meus sonhos.
Hoje só bebo café e só me aborreço.
Ontem escrevia-te e tu entravas pela janela.


Queria fechar os olhos e imaginar versos. Queria correr, correr em sonhos e beber a noite imensa! Queria não ter saudades e não ter de recordar-te.
Queria não ter de desculpar-me…




Amanhã não vou comprar tabaco.
Não vou beber café.